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A correria do dia-a-dia e o excesso de tarefas às quais estamos submetidos têm trazido diversos problemas para a sociedade atual. Ligamos o piloto-automático e agimos freneticamente sem pensar. Stress, síndromes jamais diagnosticadas antes, dores diversas e depressões passaram a ser uma constante em nosso cotidiano, resultados desse ritmo alucinante em que vivemos. Nós, trabalhadores, estudantes, whatever, damos tudo de nós para ter reconhecimento, sucesso e suas varáveis, $$$, diga-se de passagem. Acho muito louvável ter ambições e interesses na vida, lutar pelas pretensões, porém há ressalvas!!! Penso que essa busca pelos nossos ideais tem de se dar sem que haja o esquecimento de uma questão muito importante em nossas vidas, quem realmente somos e o qual o nosso propósito aqui. Não, este não é mais um texto propondo viagens filosóficas, em busca da paz mundial ou da redenção humana. Esse espaço fala de algo que julgo viável para termos uma vida melhor. Talvez eu seja um ser um pouco ingênuo ainda, talvez devido à idade ou à pouca experiência de vida, mas ainda acredito que estamos por aqui só de passagem e devemos buscar um desenvolvimento na nossa capacidade de amar os outros. Algo parecido com o que Jesus, Gandhi ou Teresa de Calcutá foram capazes de fazer. Todas essas figurinhas tiveram em suas vidas a atitude de pensar mais nos outros do que em si próprio, de tentar fazer algo pelas pessoas que estavam ao seu redor, atitudes essas de não conformismo com as características da sociedade em que viviam, revolucionários e líderes, diga-se de passagem. Talvez seja essa a resposta para os problemas atuais, deixar de ser tão centrado nos próprios problemas e se importar um pouco mais com o resto do mundo. As pessoas são tão egoístas e mesquinhas (e não serei hipócrita a ponto de me excluir desse grupo - sim isso é uma auto-crítica!), que frequentemente se vêem com dificuldades existenciais para as quais a única solução é uma sessão no divã acompanhada de uma dose de prozac! Pessoas depressivas por exemplo, são aquelas que sofrem pela sua dor, que vêem em seus problemas seu único motivo de viver, um egoísta mesmo. Dessa forma, seu sofrimento passa a ser crônico, pois sempre algo o incomoda. A diferença dessas pessoas para seres superiores é que os mestres passam sua vida pensando nos outros; enquanto as pessoas pequenas passam suas vidas pensando em si. Assim, situações corriqueiras como o fraco desempenho na faculdade, um término do namoro, a frustração de não saber o que quer da vida, a ausência de um pai, um salário baixo, são motivos para a tristeza soberana. Não estou dizendo que esses sejam problemas fáceis de se administrar, mas estou afirmando que devemos encará-los da melhor forma possível. Sofrer é uma escolha que fazemos no dia-a-dia. Podemos nos lastimar por sermos seres cheios de problemas (sim, todos temos, alguns mais do que outros, mas todos temos!), ou podemos encarar essas dificuldades como desafios e ensinamentos. É o aprendizado, é a oportunidade de buscar encontrar, dentro de si, o que tem de mudar, de corrigir, de reformar. Mas o mais fácil é culpar os outros, culpar o mundo, se fazer de vítima. É preciso nesse sentido, e que isso valha para mim também, buscar lições em tudo o que vivenciarmos, é preciso voltar-se para o mundo ao invés de olhar para o próprio umbigo e cultivar a alegria ao invés do sofrimento. A vida é um instante eterno e devemos ter concentração no momento presente, em vez de ficarmos sonhando acordados, pensando no futuro ou lamentando o passado (ouvi isso em algum lugar!). E pensar que cada vez mais há a necessidade de sair do anonimato, para protagozinar papéis em nossas vidas, ser autor da própria história, sem medo de mudar, de sofrer, de chorar.
Escrito por * Dani * às 02h14
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Balanço dos últimos 21 anos.

Hoje me flagrei pensando na minha vida e em tudo o que aconteceu nos últimos 21 anos dela... Sim, eu sempre me pego pensando em diversos episódios quando estou dentro do 7245... Incrível como janelas de ônibus são praticamente terapias para nossas vidas... Minha sessão no divã no banco duro do ônibus tem a duração de praticamente uma hora, tempo que levo para chegar ao meu lugar de destino, localizado nos distantes arredores de Santo Amaro.
Hoje, no trajeto, fiz um flashback e fui parar no ano de 1988, quando com apenas 4 aninhos de idade, ia para a academia de Ballet.
Sim, toda mãe tem sonhos de ver sua filha em trajes rosinhas e protagonizando passos estranhos em cima do palco. Com minha mãe não seria diferente. Depois de matriculada no ballet, eu era obrigada a comparecer às aulas. Lembrei de como odiava usar meia-calça, em como odiava prender meu cabelo daquele jeitinho em coque com gel bozanno (sempre presente!), e no pânico em que tinha de me apresentar para multidões (oks, não eram multidões e sim mães desesperadas para suas filhas desordenadas). Não preciso contar que num curto período de quatro meses, na primeira manifestação do surto Looser, desisti de tudo aquilo.
Estava na loja de minha mãe quando o telefone tocou. Ouvi minha mãe dizendo que era para mim...
Pânico!!!
Era a professora do Ballet querendo saber o porquê da minha ausência prolongada por quatro semanas e o porquê de eu não me apresentar no festival anual. Dotada de forte personalidade looser, eu respondi que não gostava, que aquilo não me agravada e que eu não mais compareceria àquelas aulas para sempre.
Desliguei o telefone.
Insatisfeita com a situação de ter investido fortunas na carreira de sua filha no ballet que não decolou, depois de ter comprado fantasias de festival, adereços como meia-calças, sapatilhas, collants e tudo o que uma bailarina mirim tem direito, minha mãe moralizou: “Você não mais voltará a fazer ballet.”
Três anos mais tarde, eu decidi que faria ballet. Bati de frente com minha mãe que deixou claro que não me ajudaria a voltar na minha carreira de bailarina incompreendida. Ela deixou a meu critério ir atrás de tudo... E assim eu fiz... De pastinha debaixo do braço, com um porte de executiva-mirim, me dirigi a academia de Ballet, vencendo obstáculos da minha infância esquisita. Entrei no recinto, sentei no sofá esperando para ser atendida. Alguns minutos depois, a secretária me atendeu.
- “Pois não?”
- “Vim fazer minha matrícula no curso de ballet” eu disse.
- “Ah, mas para isso sua mãe precisa estar presente para assinar os papéis e acertar tudo aqui”
- “Não, ela disse que eu poderia fazer sozinha mesmo, ela não quis vir e me deu esse cheque assinado”
Só aí a secretária percebeu que aquilo não era pegadinha.
Feito...Óbvio que não virei bailarina, nem aspirante a, mas me apresentei diversos anos nos festivais, fiz inúmeras amizades verdadeiras dentro da academia e ainda ajudei o grupo a ganhar diversos prêmios de festivais consagrados.
Todas as vezes que tenho crises de perdedor, penso nessa cena. Em como aquele ser metade menina, metade mulher lutou pelo que quis e conseguiu. Às vezes sinto falta de ser determinada e de saber lutar pelas minhas pretensões.
Quando essas crises baterem, lembrarei que um dia eu pude...
Escrito por * Dani * às 01h59
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Escrito por * Dani * às 23h08
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